Essa é provavelmente uma das dúvidas odontológicas mais comuns. A pessoa faz uma radiografia, descobre que possui os quatro sisos e imediatamente pensa: “então vou precisar tirar todos?”
Não necessariamente. Ter um dente do siso não é, por si só, uma doença. Existem situações em que a extração é indicada e outras em que o dente pode permanecer e ser acompanhado — esse é, inclusive, o entendimento atual da literatura sobre o tema.[7]
O que é o siso?
Os sisos são os terceiros molares, localizados no fundo da boca. Como são os últimos dentes a se desenvolver, algumas pessoas não possuem espaço suficiente para que eles apareçam normalmente.
O siso pode nascer completamente, aparecer apenas parcialmente ou permanecer dentro do osso (dente incluso).
Quando o siso pode precisar ser extraído?
A extração pode ser considerada quando existem situações como:
- episódios recorrentes de inflamação ou infecção ao redor do dente;
- dificuldade importante de higiene naquela região;
- cárie;
- alterações no dente vizinho;
- determinadas alterações ao redor do siso, identificadas em exame;
- posição desfavorável associada a problemas;
- outras indicações identificadas durante o planejamento odontológico.
Por isso, a pergunta não deveria ser apenas “tenho siso?”, mas “esse siso está causando ou apresenta risco relevante de causar algum problema?”
Meu siso está deitado. Precisa sair?
Não é possível responder apenas olhando a palavra “deitado” em um exame. Precisamos avaliar sua posição, profundidade, formato das raízes, relação com o dente vizinho e proximidade de estruturas importantes.
Um siso incluso ou inclinado merece avaliação, mas sua posição sozinha não determina a necessidade de cirurgia.
E se não estiver doendo?
Ausência de dor não significa automaticamente que exista ou não indicação de extração. Alguns sisos permanecem sem sintomas e sem alterações relevantes ao longo do acompanhamento. Outros podem apresentar problemas que ainda não causaram dor.
Justamente por isso, revisões sistemáticas recentes indicam que sisos assintomáticos, totalmente inclusos e sem alteração visível nos exames podem ser apenas acompanhados clinicamente de forma periódica, em vez de extraídos por rotina — a decisão deve ser caso a caso.[7][8]
Siso empurra os dentes da frente?
Essa ideia se tornou muito popular. Mas revisões da literatura ortodôntica mostram que a quantidade de apinhamento nos dentes da frente e sua eventual volta após o tratamento ortodôntico não são explicadas de forma significativa pela presença dos terceiros molares.[9] As movimentações que podem ocorrer nos dentes ao longo da vida envolvem diferentes fatores.
Por isso, retirar sisos apenas com a promessa de impedir que os dentes da frente entortem não deve ser uma decisão automática.
Existe uma idade certa para tirar?
Não existe uma idade obrigatória para todas as pessoas. Em alguns pacientes, a extração pode ser indicada ainda na juventude. Outros podem manter os sisos por muitos anos.
A decisão considera desenvolvimento das raízes, posição, condição do dente, saúde do paciente e outros fatores.
Por que às vezes é necessária uma tomografia?
Principalmente nos sisos inferiores, pode existir proximidade entre as raízes e estruturas nervosas importantes. Quando precisamos compreender melhor essa relação, uma tomografia pode ser indicada para oferecer uma visão tridimensional da região e auxiliar no planejamento — reduzindo a chance de surpresas durante a cirurgia.
Está em dúvida sobre seus sisos?
Na Evident, em Mogi das Cruzes, podemos avaliar a posição dos dentes, analisar os exames necessários e explicar se existe ou não indicação de extração.
Nem todo siso precisa ser extraído. A decisão deve existir por um motivo clínico, não simplesmente porque o dente está lá.
Referências 7. Recomendações para exodontia de terceiros molares assintomáticos e complicações associadas. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 2024. 8. Extração profilática dos terceiros molares inferiores: revisão sistemática (PRISMA). Universidade Fernando Pessoa, 2024. 9. Revisão sobre extração profilática de terceiros molares e apinhamento dentário anterior. Dental Press Journal of Orthodontics, 2015.